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QUESTÃO DA ADOLESCÊNCIA E AS DROGAS

 

INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO DE ANGOLA – ISTA

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

CURSO DE PSICOLOGIA CRIMINAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUESTÃO DA ADOLESCÊNCIA E AS DROGAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAXITO-ISTA

2023/2024









INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO DE ANGOLA – ISTA

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

CURSO DE PSICOLOGIA EDUCACIONAL

 

 

 

 

 

 

 

 

QUESTÃO DA ADOLESCÊNCIA E AS DROGAS

 

 

 

Trabalho de investigação científico apresentado ao professor Manuel Zua, no 4 ano, como requisito parcial para avaliação na cadeira de Prevenção Intervenção Tóxico Dependente.

 

 

 

 

 

 

CAXITO-ISTA

2023/2024

 

INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO DE ANGOLA – ISTA

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

CURSO DE PSICOLOGIA CRIMINAL

 

 

 

 

QUESTÃO DA ADOLESCÊNCIA E AS DROGAS

 

 

 

OS AUTORES DO Nº 02:

1.     CARLOS DA GRAÇA SILVA

2.     ROMANO PEDRO LEITÃO MANUEL

GRUPO Nº 1

PERÍODO: TARDE

 

 

 

 


AGRADECIMENTOS

 

            Agradecemos em primeiro lugar a Deus, por nos habilitar na realização deste trabalho, de igual modo ao querido professor Manuel Zua por nos passar conhecimentos necessários até agora a cerca da temática em causa e a todos que direta ou indiretamente têm contribuído para tornar possível a conclusão deste.

 

 

                                    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RESUMO

 

A adolescência é uma criação social. É um período da vida onde ocorrem inúmeras mudanças físicas, cognitivas, psicossociais e sexuais. Dentro deste contexto, o uso de drogas pelos adolescentes interfere no bom desenvolvimento em todos os aspectos. O uso desse tipo de substância pelos adolescentes pode levar a dependência química que pode perdurar até a idade adulta. No âmbito cognitivo, o uso de drogas influencia na memória de trabalho e de longo prazo, bem como a percepção e aprendizado. A presença de pais democráticos é vista como positiva para evitar a aproximação do adolescente com as drogas. Também nos aspectos psicossociais, a influência dos pares é de significativa importância na prevenção do uso de drogas. Nos aspectos sexuais, o uso de substâncias como álcool e maconha podem levar a relações sexuais indesejadas, infecções sexualmente transmissíveis e gravidez na adolescência. O uso de drogas nesta fase de desenvolvimento é considerado um problema de saúde pública no mundo todo e pode refletir em problemas na saúde física e psíquica do adulto jovem. A seleção da fundamentação teórica ocorreu por meio de pesquisas a artigos científicos e demais materiais instrucionais desenvolvidos por instituições como o Ministério da Saúde voltado para o tema do estudo e disponíveis na internet.

 

PALAVRAS-CHAVE: Adolescência, Drogas, Aspectos do desenvolvimento humano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ÍNDICE

 

AGRADECIMENTOS. I

RESUMO.. II

1. INTRODUÇÃO.. 1

1.1. Importância. 2

1.2. Objectivo Geral 2

1.3. Objectivo Específicos. 2

1.4. Justificativa. 2

2- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.. 3

2.1- Adolescência. 3

2.1.1- Drogas. 4

2.2- Aspectos Biológico. 4

2.2- Aspectos Cognitivo. 5

2.3- Aspectos Psicossocial 6

2.4- Aspectos Sexual 7

2.5- O Homem e a Dependência. 8

2.6- A Dependência das Drogas, definições. 8

3. METODOLOGIA.. 10

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS. 11

REFERÊNCIAS. 12

 


1. INTRODUÇÃO

 

O presente estudo refere-se a uma pesquisa acerca da dependência química na adolescência, seus impactos no âmbito familiar, e principalmente o papel da família no processo de tratamento do adolescente. Para isso, buscamos no primeiro capítulo conhecer em um breve histórico as transformações sofridas pelo adolescente nesta fase de transição, apontamos o papel da família enquanto eixo que move as relações sociais desses indivíduos e fechamos com uma discussão sobre o uso de drogas na adolescência.

Muitos estudos demonstram o crescimento alarmante do uso de drogas entre os adolescentes e jovens, de modo que este se desvela enquanto um importante problema social. Pela complexidade do fenômeno, seu enfrentamento requer programas de prevenção e combatebem articulados com vários seguimentos da sociedade.

Trata-se de um estudo descritivo, com o objetivo de diagnosticar o envolvimento de adolescentes e jovens com drogas na cidade de Ibitiara, visando subsídios para a criação de programas locais de prevenção e redução de danos deste problema social. A pesquisa foi realizada com a utilização de várias fontes bibliográfica de livros, periódicos, artigos publicados na internet. A pesquisa mostrou que são muitos os problemas causados pelo uso e dependência das drogas, o qual se agrava a cada dia e tem interferido no desenvolvimento dos indivíduos, principalmente dos adolescentes e jovens.

A adolescência é um período de transição entre a infância e a idade adulta. É nesta fase que o ser busca um sentido para si, para sua existência; uma razão para as angústias que acompanham todas essas transformações intrínsecas e extrínsecas, visíveis e invisíveis, tangíveis e intangíveis. O adolescente enfrenta um turbilhão de emoções e sentimentos que muitas vezes não são entendidos pelos adultos.

Destarte, acredita-se que o estudo oferecerá subsídios valiosos para maior compreensão e visibilidade desse tão discutido problema ao abordar os transtornos que ele causa a todos, concluindo que é necessário ofertar serviços de atenção integral para os envolvidos e orientar a possibilidade de ações que fortaleçam o processo de enfrentamento.

 

 

1.1. Importância

Importância deste trabalho centra-se no estudo da adolescência e as drogas sendo que, entende-se que a adolescência é uma fase conflituosa da vida devido às transformações biológicas e psicológicas vividas. Surgem as curiosidades, os questionamentos, à vontade de conhecer, de experimentar o novo mesmo sabendo dos riscos, e um sentimento de ser capaz de tomar as suas próprias decisões.

1.2. Objectivo Geral

Conhecer o envolvimento de adolescentes e jovens com drogas, visando subsídios para a criação de programas locais de prevenção e redução de danos deste problema social.

1.3. Objectivo Específicos

·         Realizar um diagnóstico sobre o uso e abuso de drogas e álcool entre adolescentes;

·         Compreender os fatores que levam os adolescentes ao uso de drogas.

·         Descrever o Homem como um elemento toxicodependência;

·         Analisar conceitos adolescentes E Drogas;

1.4. Justificativa

Este trabalho justiça-se pelo facto de ser um tema muito pertinente e tendo em conta que, o uso abusivo de substâncias psicoativas leva o indivíduo a desenvolver uma síndrome de dependência, a qual se caracteriza por agrupamento de fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos, que se desenvolve após o uso contínuo destas substâncias e que normalmente gera uma dificuldade em controlar o seu uso apesar das consequências negativas, dando preferência ao uso da droga em prejuízo de outras atividades, crescendo a tolerância, e às vezes um estado de abstinência física

As estratégias de informação, neste caso especificamente, para adolescentes em relação à prevenção ao uso de drogas, são capazes de atingir além dos próprios adolescentes, seus familiares e sua rede social. Assim, constitui-se em uma potencial ferramenta de apoio para compreensão do fenômeno e para ações e atitudes de promoção de uma juventude saudável.

 

2- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1- Adolescência

A adolescência é uma fase de transição entre a infância e a vida adulta. Etimologicamente tal termo deriva do latim adolecer, cujo significado é “crescer, engrossar, tornar-se maior, atingir a maioridade” (TIBA, 1985).

De acordo com Outeiral (1994, p. 6), a adolescência é definida como, uma palavra com dupla origem etimológica e caracteriza muito bem as peculiaridades desta etapa da vida. Ela vem do latim ad (a, para) e olecer (crescer), significando a condição de processo de crescimento.

A adolescência também deriva do adolescer, origem da palavra adoecer, temos assim, nesta dupla origem etimológica, um elemento para pensar esta etapa da vida: aptidão para crescer (não apenas no sentido físico, mais também psíquico) e para adoecer (em termos de sofrimento emocional, com as transformações biológicas e mentais que operam nesta faixa da vida).

Para NERY FILHO e TORRES (2002) a adolescência constitui um período de grandes transformações, as quais acabam por exigir uma série de adaptações dos jovens, além de ser uma fase com várias crises existenciais, em que o adolescente acaba de passar por uma etapa de insegurança, a qual surge devido ao fato de ele sentir- se impelido de abandonar o ponto de partida em que referenciais históricos são rompidos e um novo caminho traçado. 

O adolescente é um viajante que deixou um lugar e ainda não chegou no seguinte. Vive um intervalo entre liberdades anteriores e responsabilidades/compromissos subsequentes; vive uma última hesitação antes dos sérios compromissos da fase adulta. (LOSACCO, 2005, p.69)   

Segundo SCIVOLETTO (1997, p. 34) afirma que a adolescência é uma fase na qual todos procuram sua própria identidade. Trata-se de um momento onde os indivíduos querem ser reconhecidos por si e não por sua hereditariedade. Segundo o autor, nessa procura por uma identidade própria, o jovem tenta pertencer a um grupo diferente se sua família, ou seja, ele busca “a turma” que, muitas vezes, se confunde com sua identidade.

Segundo FREITAS (2002, p.36) define a adolescência como, um momento crucial da vida do homem e constitui a etapa decisiva de um processo de desprendimento que começou com o nascimento. As modificações psicológicas que produzem neste período, e que são o correlato de modificações corporais, levam a uma nova relação com os pais e o mundo. Isso só é possível se elabora, lenta e dolorosamente, o luto pelo corpo infantil, pela identidade infantil e pela relação com os pais na infância.  

Cabe ressaltar que não é apenas o adolescente que passa por transformações, a família também passa por uma série de estranhamentos diante de tal fase.

2.1.1- Drogas

Drogas são substâncias, naturais ou sintéticas, que causam alguma alteração no funcionamento do organismo. Essas alterações dependem do tipo de droga consumida, da quantidade utilizada e das características pessoais de quem as ingere / utiliza.

Para PAPALIA, D. E. e FELDMAN, R. D, (2013, p.243), drogas são substâncias que produzem mudanças nas sensações, no grau de consciência e no estado emocional das pessoas. As alterações causadas por essas substâncias variam de acordo com as características da pessoa que as usa, da droga escolhida, da quantidade, frequência, expectativas e circunstâncias em que é consumida.

Essa definição inclui os produtos ilegais (cocaína, maconha, ecstasy, heroína) e também produtos como bebidas alcoólicas, cigarros e vários remédios, que são legais, apesar de haver restrições em sua comercialização (PARADA, J. J. 2013, p.10-21).

A palavra droga, de origem possivelmente francesa (drogue) ou holandesa (droog), inicialmente referia-se a folhas secas, que por muito tempo consistiram no principal recurso para o tratamento das doenças. Daí também a origem da palavra drogaria, o local onde obtemos a droga medicamento), e que nos tempos mais antigos era conhecida como botica, cujos produtos eram, na sua     maioria, de origem natural, principalmente minerais e vegetais.

2.2- Aspectos Biológico

Durante o período da adolescência, o cérebro não está totalmente desenvolvido, passando por um processo de refinamento que torna os jovens mais susceptíveis aos efeitos das substâncias. As indicações para isso podem ser relacionadas com a rede socioemocional, que é sensível aos estímulos sociais e emocionais, que é ativa durante a puberdade, esta rede tem interação com a rede de controlo cognitivo, que regula as respostas aos estímulos fornecidos.

Essa se desenvolve gradualmente até o início da vida adulta. Tais mudanças podem explicar os comportamentos explosivos e de risco típicos desta faixa etária, juntamente com a frequência com que estes ocorrem em grupos (STEINBERG, 2007 apud PAPALIA e FELDMAN 2013).

Segundo ATKISON (et.al, 2017) em grande parte, as substâncias utilizadas tem como finalidade a experimentação, porém, alguns desses jovens acabam por precisar do efeito de reforço vindo da droga, sendo por estarem mais vulneráveis física ou psicologicamente. Os sistemas de reforços relacionados ao prazer gerado pelas drogas são naturalmente super-ativos, enquanto os sistemas responsáveis pela inibição de comportamentos são naturalmente hipoativos (RUTHERFORD, 2010 apud PARADA, J.J, 2013).

A frequência no uso do álcool por um longo período de tempo leva a sérios problemas de saúde tais como a hipertensão, acidente vascular cerebral, úlcera, câncer na boca garganta e estomago cirrose hepática e depressão (ATKISON et al, 2017).

Segundo (ATKISON et al, 2017), O álcool não afeta apenas quem bebe; quando uma mulher grávida bebe, o feto é exposto ao álcool, o que pode resultar em uma série de efeitos negativos. As mulheres grávidas que bebem muito têm o dobro de probabilidade de sofrer abortos repetidas vezes e de gerar bebês abaixo do peso.

2.2- Aspectos Cognitivo

          Na teoria de Jean Piaget os seres humanos de maneira interativa com o meio passam por uma série de mudanças previsíveis e ordenadas, que levará a construção das estruturas mentais, sendo assim, a forma como o sujeito interage com a realidade, da organização interna e adaptação ao meio, promoverá o desenvolvimento da inteligência. (TEIXEIRA, 2011).

         TEIXEIRA (2011) enfoca que, na adolescência o desenvolvimento cognitivo segundo Piaget, se dá pela mudança que proporciona o desenvolvimento progressivo das ideias, construindo os sistemas e teorias, revelando o desejo do adolescente de se integrar em mundo diferente. O álcool é uma droga potente que causa efeitos sobre o bem-estar físico, emocional e social, sendo um grave problema em muitos países, segundo Gabhainn e François (2000 apud PAPALIA e FELDMAN,2013) com dados de 2009 temos “15% dos estudantes de 8ª série norte-americanos, 30% de estudantes do 1º ano do ensino médio, e 44% de estudantes do 3 º ano do ensino médio” tinham consumido álcool pelo menos uma vez no decorrer de 30 dias. (ATKINSON, et al, 2002).

2.3- Aspectos Psicossocial

            Segundo Papalia e Feldman (2013) a adolescência é um período de construção social, ou seja, é neste momento em que o indivíduo começa a estabelecer seus próprios valores e assim começa a desenvolver suas amizades baseadas nesses valores desenvolvidos. É nessa fase do desenvolvimento em que o indivíduo é mais suscetível a influências externas por estar neste processo de construção de identidade e papel social.

            É na adolescência que a atividade social aumenta e a busca pelo pertencimento e identidade levam esses indivíduos a buscarem grupos que possuem os mesmos interesses, o que pode levar o jovem a utilizar drogas para conseguir espaço e sensação de pertencimento àquele grupo. (PAPALIA E FELDMAN, 2013)

            Para TEIXEIRA (2011, p. 5) “um sujeito que esteja passando por momento de tensão, conflito, problemas nos relacionamentos familiares ou afetivos pode consumir álcool para combater a depressão e os sentimentos indesejados”, ou seja, o adolescente se utiliza da bebida como forma de fuga desses problemas ou traumas.

             A família possui uma influência nesse processo, o que pode levar ou evitar o uso de drogas pelos jovens, a parentalidade insatisfatória ou inconsistente, conflitos familiares, relacionamentos familiares perturbados ou distantes podem ser um fator determinante.

            Portanto, nota-se a importância que o contexto social possui na influência no desenvolvimento do indivíduo e que vários fatores norteiam a possibilidade do uso de drogas por adolescentes. Dessa forma os pais devem monitorar e acompanhar o jovem desde o início desse período para que ele tenha uma construção de valores e formação de amizades que serão positivas para o seu desenvolvimento.

2.4- Aspectos Sexual

Além dos fatores de desenvolvimento acima referidos, sabe-se que o uso de drogas na adolescência tem reflexos também nas questões sexuais.

Dados nacionais apontam para uma associação entre uso de álcool, maconha e comportamentos sexuais de risco como início precoce de atividade sexual, não uso de preservativos, pagamento por sexo e prostituição. (SILVA et al, 2010).

A autoconfiança aumenta com o consumo de drogas como o álcool, modificando o comportamento do adolescente. Em concentrações de 0,03 a 0,05% no sangue (30 a 50 miligramas de álcool a cada 100 mililitros de sangue), o álcool produz tonteira, relaxamento e perda de inibições. As pessoas dizem coisas que normalmente não diriam e tendem a tornar-se mais sociáveis e expansivas. A autoconfiança pode aumentar, mas as reações motoras começam a diminuir. (ATKINSON, et al, 2002, p. 236).

            Segundo MYERS (1999), o álcool aumenta as tendências prestativas, porém também o faz com as nocivas, exemplificando com a coerção sexual exercida por universitários na tentativa de desinibir as moças com quem saíam, fazendo-as beber.

O consumo de álcool pelos adolescentes é classificado como pesado, ou seja, eles chegam a consumir cinco ou mais doses de bebida em uma única ocasião, o que acarreta as chamadas “bebedeiras”. Este comportamento está associado a uma série de problemas sociais e de saúde, como doenças sexualmente transmissíveis já que o uso de preservativos por estudantes universitários sexualmente ativos cai quando estes estão embriagados.

Além disso, tal omissão leva a um grande número de casos de gravidez indesejada na adolescência, suprimindo destes jovens oportunidades e refletindo em seu desempenho escolar e também em sua vida social e familiar.

2.5- Visão geral do uso de drogas na Sociedade

A história ensina que o uso de substâncias psicoativas sempre estiveram presentes na sociedade não importando a raça ou a cultura do povo. Os motivos propostos para explicar esse uso já foram de cunho religioso e místico (LESSA, 1998).

As drogas eram utilizadas na antiguidade nas cerimônias e rituais, para obter prazer, diversão e experiências místicas, porém essa utilização não representava, em geral, uma ameaça, pois ainda não se sabia dos efeitos negativos que elas podiam causar. Porém na última década, o aumento siginificativo de consumidores e dos tipos de drogas usadas reflete-se em uma maior demanda para o tratamento de problemas relacionados ao abuso ou dependência de drogas.

2.6- O Homem e a Dependência

Segundo LOSACCO, S. (2005, 98), a dependência é um estado teoricamente bem caracterizado mas, praticamente, difícil de estabelecer, nomeadamente se se considerar uso de certos medicamentos (ansiolíticos, mais também opiáceos); além disso, é preciso avaliar a prescrição e a absorção destas substâncias em termos de custos benéficos para o sujeito.

A busca ou o consumo das substâncias particulares é tão antiga como o mundo vegetal donde a maior parte delas provém, e o homem (tal como os animais) aprendeu a conhecê- las, a evita-las, a consumi-las e até mesmo a sacraliza-las. É interessante considerar que as moléculas vegetais possuem receptores específicos no cérebro, aptos a reconhecê-las e com os quais elas interagem para produzir os seus efeitos (ARAÚJO, A. J.2010).

Devidos os seus potenciais efeitos deletérios, para além do prazer ou do alívio procurado, as drogas encontram-se no seu centro de um problema social que se tornam mais dramático pelo carácter ilícito da sua obtenção.

2.7- A Dependência das Drogas, definições

Dependência é o impulso que leva a pessoa a usar uma droga de forma contínua (sempre) ou periódica (frequentemente) para obter prazer. Alguns indivíduos podem também fazer uso constante de uma droga para aliviar tensões, ansiedades, medos, sensações físicas desagradáveis, etc.

O dependente caracteriza-se por não conseguir controlar o consumo de drogas, agindo de forma impulsiva e repetitiva. Para compreendermos melhor a dependência, vamos analisar as duas formas principais em que ela se apresenta: a física e a psicológica. A dependência física caracteriza-se pela presença de sintomas e sinais físicos que aparecem quando o indivíduo para de tomar a droga ou diminui bruscamente o seu uso: é a síndrome de abstinência.

Segundo ARAÚJO, A. J. (2010, p.247), Os sinais e sintomas de abstinência dependem do tipo de substância utilizada e aparecem algumas horas ou dias depois que ela foi consumida pela última vez. No caso dos dependentes do álcool, por exemplo, a abstinência pode ocasionar desde um simples tremor nas mãos a náuseas, vômitos e até um quadro de abstinência mais grave denominado "delirium tremens", com risco de morte, em alguns casos.

 Já a dependência psicológica corresponde a um estado de mal-estar e desconforto que surge quando o dependente interrompe o uso de uma droga. Os sintomas mais comuns são ansiedade, sensação de vazio, dificuldade de concentração, mas que podem variar de pessoa para pessoa.

Com os medicamentos existentes atualmente, a maioria dos casos relacionados à dependência física pode ser tratada. Por outro lado, o que quase sempre faz com que uma pessoa volte a usar drogas é a dependência psicológica, de difícil tratamento e não pode ser resolvida de forma relativamente rápida e simples como a dependência física.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3. METODOLOGIA

 

              Foi realizada uma pesquisa bibliográfica, utilizando material de fonte primária e secundária. Sendo utilizados oito artigos e para a seleção dos artigos os seguintes critérios: artigos que tratam de adolescência e o uso de drogas, considerando o ambiente onde o adolescente está inserido, as palavras utilizadas para pesquisa foram adolescência, drogas, aspectos do desenvolvimento humano.

             Com duas bases de dados SCIELO e a MEDLINE Complete, os tipos de publicações utilizadas foram periódicos de 2010 à 2017 ano de publicação, em português. Com base em afirmações a respeito do assunto, fazendo uma análise crítica, nos aspectos considerados importantes para abordagem do adolescente e o uso de drogas.

             Identificada a primeira hipótese a relação direta entre o uso de drogas e a influência nos aspectos da vida biológica, cognitiva, psicossocial e sexual Os dados qualitativos foram analisados com relação aos usuários de drogas licitas ou ilícitas no país e os reflexos relevantes para a sugestão de elaboração de estratégias para prevenção, promoção de saúde e tratamento, evitando tantos problemas relacionados as drogas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Penetrar no universo das drogas constituiu-se como um passo de grande relevância para compreender a amplitude dos problemas sociais causados pelo uso e dependência das mesmas. Este é um assunto inesgotável, uma vez que envolve uma grande parcela da população, afetando as mais distintas famílias e seguimentos da sociedade, independente de posição ou classe social.

Como forma para concluir, entendemos que, o uso de drogas na adolescência é um problema de saúde pública. Atinge não somente os próprios envolvidos no uso e abuso das substâncias, como também os que convivem com este adolescente.

Ora, os reflexos são em toda a sua vida, seja na família, na escola, no círculo de amigos ou na sua vida sexual. O desempenho cai, os amigos mudam, o relacionamento familiar fica prejudicado e a vida sexual pode se transformar em um pesadelo com a possibilidade de contágio de doenças e a gravidez indesejada.

            Portanto, o desenvolvimento cognitivo na adolescência leva-o ao desejo de se integrar a um mundo diferente, o uso de drogas desencadeia além do prejuízo escolar diante das faltas, dificuldades em relação à memória dos conteúdos, atenção em sala de aula, vindo a interferir na vida adulta, por meio da busca por pertencer a um grupo o jovem repete comportamentos nocivos de alguns amigos ou adultos.

As marcas podem ficar pra sempre neles e em seus entes. Os pais que acompanham o desmoronar da vida de um filho jamais têm sossego. O jovem que consegue sair, pode ter recaídas. Vive um dia de cada vez, na esperança de que consiga chegar ao dia seguinte.

  Fica clara a importância de novos estudos para compreensão por parte da literatura cientifica nacional com relação aos usuários de drogas licitas ou ilícitas e os reflexos cujos resultados seriam relevantes para a elaboração de estratégias para prevenção, promoção de saúde e tratamento evitando tantos problemas relacionados a drogas e os aspectos do desenvolvimento.

 

 

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

1.      ATKINSON, R. L., ATKINSON, R. C., SMITH, E. E., BEM, D. J. E NOLEN-HOEKSEMA, S., Introdução à Psicologia de Hilgard. 16ª ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017.

2.      ATKINSON, R. L., ATKINSON, R. C., SMITH, E. E., BEM, D. J. E NOLEN-HOEKSEMA, S., Introdução à Psicologia de Hilgard. 13ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

3.      EMS. Cigarro influencia capacidade cognitiva do ser humano. 19/12/2012.

4.      LESSA, M. B. M. F. Os paradoxos da existência na história do uso das drogas. 1998. Disponível em http://www.ifen.com.br/artigos.htm. Acesso em 01/06/2010.

5.      LOSACCO, Sílvia. O jovem e o contexto familiar. In: ACOSTA, Ana Rojas & VITALE, Maria Amália Faller (Orgs.).Família: redes, laços e políticas públicas. São Paulo: Cortez - Instituto de Estudos Especiais - PUC/SP, 2005.

6.      MOURA, L. R.; TORRES, L. M.; CADETE, M. de M. M.; CUNHA, C. de F. Fatores associados aos comportamentos de risco à saúde entre adolescentes brasileiros: uma revisão integrativa. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo ,  v. 52,  e03304,    2017 .  

7.      MYERS, D. G., Introdução à Psicologia Geral. 5ª ed. Rio de Janeiro, LTC, 1999.

8.      NERY FILHO, A.; TORRES, I. M. A. P. (Org.) A família, os adolescentes, os meninos de rua e as drogas. In: NERY FILHO, A.; TORRES, I. M. A. P.. Drogas: isso lhe interessa? Salvador: CETED, 2002.

9.      PAPALIA, D. E. e FELDMAN, R. D., Desenvolvimento Humano. 12ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

10.  PARADA, J. J. Aspectos psicossociais relacionados ao uso de drogas na adolescência. Percurso Acadêmico, Belo Horizonte, v. 3, n. 5, p.10-21, jan./jun. 2013.

11.  SANTOS, M. B., COSTA, C. L. N. A., O uso de drogas na adolescência. Caderno de Graduação – Ciencias Humanas e Sociais. 2013; V.1, n. 17.; 143-150.

12.  SCIVOLETTO, S. Tratamento Psiquiátrico Ambulatorial de Adolescentes Usuários de Drogas. Tese (Doutorado). Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, 127p., 1997.   

13.  SCIVOLETTO, S.; MORIHISA, R.. Conceitos básicos em dependência de álcool e outras drogas na adolescência. Jornal Brasileiro de Dependência Química, 2, 30-33, 2001.

14.  TEIXEIRA, P.S., STEFANINI, M.C.B., MARTINS R.A., CRUZ L.A.N. Desenvolvimento cognitivo e sintomas depressivos em adolescentes que fazem uso de bebidas alcóolicas. SMAD, Ver. Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drog. (Ed.port.) jan-abr 2011. 7(1):3-9.

15.  TIBA, I. Puberdade e Adolescência: desenvolvimento biopsicossocial. São Paulo: Ágora, 1985.

 

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