FIDEDIGNIDADE
1- INTRODUÇÃO
A avaliação psicológica pode ser considerada como uma das áreas mais antigas da psicologia. O estudo pelo desenvolvimento de testes psicológicos se intensificou no século XIX na Europa e nos Estados Unidos, uma vez que aumentava gradativamente o interesse pelo tratamento de pessoas que apresentavam transtornos mentais e emocionais (ANASTASI & URBINA, 2000).
A Fidedignidade em Psicometria representa a precisão do teste, é a consistência dos dados (escores) obtidos pelas mesmas pessoas quando são examinadas com o mesmo teste só que com examinadores diferentes e em condições diferentes. Um teste é fidedigno se o mesmo for exposto a repetidas mensurações e os resultados forem sempre os mesmos.
Dentro da Psicometria há algumas formas para verificar a precisão de determinado teste, sendo elas: teste-reteste, consistência interna e até mesmo formas paralelas.
No entanto, assim como o médico é obrigado a conhecer a potencialidade dos remédios e a levar em conta suas contra-indicações, da mesma forma o psicólogo deve saber, não apenas as vantagens dos testes, mas, também os limites de sua utilidade e validade. Do contrário, correrá o risco de apresentar diagnósticos falsos ou deformados, pois estariam baseados em resultados falhos e incompletos.
Os testes psicológicos não consistem numa exemplar neutralidade e eficácia em 100% nos seus resultados, mas isto não implica que os mesmos devam ser dispensados. Desde que atendidas as pré-condições de sua aplicação, e que o psicólogo examinador tenha conhecimento, domínio da aplicação e da avaliação, os testes se instalam como referencial que elimina boa parte da “contaminação” subjetiva das suas percepção e julgamento.
Para a viabilização do cuidado das pessoas que apresentavam esses transtornos, surgiu a necessidade de padronizar o processo de admissão e qualificação dos profissionais que iriam cuidar desses pacientes já diagnosticados a fim de alcançar o objetivo do tratamento (ANASTASI & URBINA, 2000).
2- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A confiabilidade (precisão, fidedignidade) busca verificar o quanto a pontuação do indivíduo se aproxima de sua realidade e o quanto ela se mantém estatisticamente idêntica em diferentes situações, a variar o tempo e/ou a partir de intercorre lação entre os itens da medida.
Como mencionado, ao averiguar a fidedignidade dos escores de um teste psicológico não se pretende encontrar resultados que sejam rigorosamente semelhantes, e sim verificar quais medidas confiáveis o instrumento pode proporcionar para que os resultados sejam similares quando houver a aplicação do teste sob as mesmas condições de contexto, sujeito e objeto de estudo (ERTHAL, 2009).
Com isso, quanto mais parecidos forem os resultados alcançados por meio de aplicações distintas do mesmo instrumento, maior será a fidedignidade do teste, e quanto mais diferentes forem os resultados obtidos, menor será a fidedignidade do teste (ZANON & HAUCK, 2015).
Segundo ERTHAL (2009), a fidedignidade apresenta três aspectos fundamentais a serem observados durante sua mensuração, que são: precisão, estabilidade e homogeneidade. A precisão busca medir o instrumento sem erro, analisando o máximo possível do constructo estudado, procurando assim diminuir o erro de mensuração. A estabilidade visa reproduzir diferentes fenômenos, buscando apresentar pouco erro de mensuração em momentos diferentes de aplicação.
Segundo
2.1- Fidedignidade/Confiabilidade
Segundo
O conceito de fidedignidade está relacionado com o conceito do erro demensuração, já que as diferenças individuais nos resultados dos testes podem dever-se diferenças “verdadeiras” ou a erros causais. Assim, a fidedignidade permite estimar que proporção da variância total é uma variância de erro.
Hoje em dia os psicólogos reconhecem que a presença de variância é inevitável, tentando procurar as suas fontes. Verifica-se que qualquer condição irrelevante para o objetivo do teste representa uma variância de erro, sendo que quando os examinadores tentam manter condições uniformes de testagem ao controlar as várias partes, estão a reduzir a variância de erro, tornando os resultados mais confiáveis.
No entanto, nenhum teste é um instrumento perfeitamente confiável, mesmo com condições de testagem perfeitas. Assim, cada teste deve será acompanhado por uma declaração da sua fidedignidade. Esta medida caracteriza o teste quando este é aplicado em condições-padrão e com pessoas semelhantes à amostra normativa.
Todos os tipos de fidedignidade podem então ser definidos com um coeficiente de correlação. Este coeficiente expressa o grau de correspondência/relacionamento entre2 conjuntos de resultados (estando o valor entre -1 e 1). A correlação pode ser:
· Positiva: em que as 2 variáveis estão diretamente proporcionais
· Negativa: existe uma inversão de resultados de uma variável para a outra
· Zero: completa ausência de relacionamento entre as 2 variáveis
O coeficiente de correlação pode ser calculado de diversas formas. Ex: Correlação de Pearson (tem em conta a posição da pessoa no grupo e o seu desvio da média do grupo).
Relativamente à significância estatística, verifica-se que na pesquisa psicológica existe algum interesse em generalizar os resultados além da amostra de indivíduos testados para a população que estes representam. Para isso, verifica-se normalmente se correlação é significativamente maior que zero.
Atualmente verifica-se que o facto de o coeficiente de fidedignidade ser maior que zero fornece pouco conhecimento para fins teóricos/práticos. Para isso, tem-se dado cada vez mais atenção à magnitude real da correlação obtida, estimando um intervalo desconfiança dentro do qual a correlação da população provavelmente estará situada num nível de confiança especificado. Os coeficientes de correlação podem ser utilizados para a mensuração da fidedignidade. Existem vários tipos de fidedignidade:
Fidedignidade de Teste-Reteste: descobrir a fidedignidade de um teste ao repetir o teste em + do que 1 ocasião, correlacionando os resultados pelas mesmas pessoas nas 2 aplicações. Neste caso, as variações podem resultar de condições de testagem não controladas (ex: certas distrações, condições meteorológicas),por mudanças nas condições dos sujeitos (ex: fadiga, experiências recentes).
Neste caso, quanto maior for a fidedignidade, menos suscetíveis estão os resultados às mudanças do ambiente ou dos sujeitos, podendo os resultados ser generalizados para diferentes situações. É importante especificar-se o intervalo ao longo do qual vai ser medido fidedignidade do reteste.
2.2- Fidedignidade de Forma-Alternada
Descobrir a fidedignidade ao utilizar formas alternadas do teste, utilizando as mesmas pessoas mas testadas de forma diferente. Esta medida é utilizada tanto para medir a estabilidade temporal como consistência da resposta a diferentes amostras de itens.
No entanto, por vezes os itens podem abranger tópicos que “por sorte “temos maior facilidade em responder, o que leva à presença de erros relativamente à amostragem do conteúdo, podendo outros itens levar diferentes resultados. (PASQUALI, 2001).
Ou seja, as experiências passadas dos sujeitos vão influenciar a dificuldade de cada lista de itens, que varia de pessoa para pessoa. Tal como no tipo anterior, deve existir uma declaração da extensão do intervalo entre as aplicações dos testes.
Assim nesta forma, existe algumas situações a ter em conta: Deve garantir-se que as formas alternadas sejam paralelas (independentemente construídos para satisfazer as mesmas especificações). Testes com o mesmo nº de itens, expressos da mesma forma com o mesmo conteúdo- Igual intervalo e nível de dificuldade dos itens.
2.3- Fidedignidade com o Método das Metades
Usando uma única aplicação de um teste, podem usar-se procedimentos para dividir o teste em metades equivalentes.
De acordo
Verifica-se que quanto + longo for um teste, mais confiável ele vai ser.
2.4- Fidedignidade de Puder-Richardson e Coeficiente Alfa
Este tipo de fidedignidade é atingido através da avaliação da consistência das respostas a todos os itens, sendo influenciado pela amostragem do conteúdo e pela heterogeneidade do domínio comportamental amostrado.
Assim, quanto + homogéneo for um domínio, maior será a consistência entre os itens, levando a resultados menos ambíguos. No entanto, um único teste homogéneo não é um preditor adequado de um critério heterogéneo.
2.4.1- Fidedignidade do avaliador
Deve assegurar-se que os procedimentos sejam seguidos cuidadosamente e verificados de forma adequada, sendo que esta fidedignidade pode ser medida comparando-se uma amostra de protocolos dos testes pontuados independentemente por 2 examinadores. Este tipo de fidedignidade é muito importante em testes em que seja necessária alguma intervenção na avaliação.
Técnicas para medir a variância e fontes de variância – p. 96 (quando o coeficiente fidedignidade é 0.85 isto significa que 85% da variância dos resultados dos testes depende da variância verdadeira no traço medido e 15%depende da variância de erro).
Verifica-se que delineamentos experimentais que produzem + do que 1 tipo de coeficiente de fidedignidade para o mesmo grupo permitem a análise da variância total dos resultados em diferentes componentes. Relativamente aos testes de rapidez, este é um teste em que as diferenças individuais dependem inteiramente da velocidade do seu desempenho, utilizando itens com dificuldade baixa (dentro das habilidades de todos os sujeitos), com um limite de tempo curto para que ninguém termine todas as questões.
Por outro lado, um teste de habilidades tem um limite de tempo suficientemente longo para permitir que realizem todos os itens, com uma dificuldade crescente. Para cada um destes testes são utilizadas diferentes formas de medir fidedignidade (ex: para os testes de rapidez pode ser utilizada a técnica do teste-reteste).
Verifica-se uma influência da variabilidade e habilidade na fidedignidade:
2.4.2- Variabilidade
O coeficiente de fidedignidade é influenciado pela natureza do grupo medido (ou seja, pelo intervalo total das diferenças individuais no grupo). Assim, um grupo homogéneo traz respostas muito semelhantes, o que faz com que a correlação entre resultados de 2 testes seja muito baixa. Assim, o coeficiente de fidedignidade influenciado para variabilidade da amostra.
2.4.3- Nível de habilidade
O coeficiente de fidedignidade é também então influenciado entre grupos que diferente no nível médio de habilidade, sendo que estas diferenças podem ser descobertas segundo uma prova empírico de teste em grupos que diferem em idade ou nível de habilidade. Assim, cada coeficiente de fidedignidade deve ser acompanhado de uma descrição do tipo de grupo em que foi determinado, aplicando o teste a amostras similares àquela em que foi calculado.
2.4.4- Erro-padrão de mensuração
Verifica-se que a fidedignidade pode ser expressa em termos do erro-padrão de mensuração, sendo que este erro-padrão é independente da variabilidade do grupo em que é calculado, expressando em termos de resultados individuais (assim, não existe influência se o grupo é homogéneo ou heterogéneo).Desta forma, este erro não poderá ser comparado de teste para teste (devendo utilizar-se o coeficiente de fidedignidade para comparar testes).
Para
Relativamente aos testes de maestria (testes que avaliam o desempenho em termos de maestria e não em grau de realização), existe supostamente uma baixa correlação, uma vez que, já que a maestria se atinge através do treino e aquisição de competências numa determinada actividade, todos os indivíduos com um determinado treino deveriam conseguir dominar essa atividade, levando à existência de um grupo homogéneo.
2.4.5- Validade
Para
Assim, deve determinar-se as relações entre o desempenho no teste e outros factos independentemente observáveis relativos às características do comportamento em consideração. Existem várias formas de medir a validade de um teste.
Segundos
Para
Além disso, surge também a importância de evitar qualquer sobre generalização sobre o domínio amostrado pelo teste, evitando também incluir fatores irrelevantes nos resultados dos testes.
Para isso, deve ter-se alguns passos em conta:
1. A escolha de itens apropriados com base em informações recolhidas.
2. Realização de especificações de teste (que apresentam as áreas de conteúdo a serem abrangidos, objetivos a ser testados e importância dos tópicos).
3. Decisão ponderada sobre o nº de itens para cada tópico.
4. Assegurar-se que o conteúdo do teste é apropriado e representativo.
5. Ter em conta os principais resultados (resultados totais e desempenho em determinados itens, principais erros, etc.)
Segundo
2.4.6- Validade aparente
Aquilo que um teste aparenta medir, sendo que esta validade, apesar de não substituir a validade objetivamente determinada é importante, já que vai influenciar a adesão dos outros aos testes (ex: se o conteúdo de um teste parece irrelevante ou inadequado, existe pouca cooperação). Pode alterar-se a validade aparente, por exemplo, ao reformular os itens dos testes.
2.4.7- Validade preditiva
Predição ao longo de um intervalo de tempo Validação concorrente: relevante para os testes de diagnóstico do status existente e não para a predição de futuros resultados. Utilizada como um substituto da validação preditiva, já que por vezes é impraticável estender procedimentos de validação ao longo do tempo, aplicando-se os testes para grupos onde já existem dados de critério (tem-se em conta dados atuais e compara-se os resultados do teste com a atualidade).
Deve apresentar-se a precaução de não contaminar as avaliações do critério como conhecimento do avaliador sobre os resultados do teste, sendo essencial que nenhuma pessoa que participa nas avaliações do critério tenha conhecimento dos resultados do teste aplicado. Esta contaminação poderia aumentar a correlação entre os resultados dos testes e o critério de forma falsa.
Verifica-se que um determinado teste pode ser validado consoante muitos critérios, de acordo com a sua função, sendo que qualquer método para avaliar comportamento pode fornecer uma medida de critério para um determinado objetivo. Um dos critérios + utilizados será o real desempenho da atividade (avaliado de forma prolongada).
A validade de predição de um critério é normalmente usada em estudos locais, estudando-se a efetividade de um teste para um programa específico. Verifica-se alguma dificuldade relativamente à generalização da validade de um teste para situações diferentes.
2.5- A importância da Fidedignidade
A fidedignidade é essencial em qualquer tipo de relacionamento, seja ele pessoal ou profissional. Quando confiamos em alguém ou em uma empresa, nos sentimos seguros e confortáveis em estabelecer parcerias, fazer negócios ou compartilhar informações sensíveis. Por outro lado, quando percebemos que alguém ou algo não é fidedigno, nossa confiança é abalada e podemos nos afastar ou buscar alternativas mais confiáveis.
A fidedignidade é especialmente importante no mundo dos negócios, onde a reputação de uma empresa pode ser construída ou destruída com base em sua capacidade de ser confiável. Empresas que são vistas como fidedignas têm mais chances de conquistar e manter clientes fiéis, além de atrair investidores e parceiros de negócios.
3- CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa propiciou aprofundar o conhecimento em relação aos instrumentos psicológicos, formas de aplicação e implicações éticas a respeito da área de avaliação e testagem psicológica. Compreender desde os conceitos psicométricos dos instrumentos psicológicos a desafios atuais da área sob a perspectiva de peritos em avaliação psicológica enriqueceu a pesquisa, uma vez que promoveu um espaço de interlocução entre a teoria e a vivência dos profissionais peritos em avaliação psicológica.
A fidedignidade é um atributo essencial para o sucesso de qualquer pessoa, empresa ou organização. Ser fidedigno significa ser confiável, honesto, transparente e digno de confiança. Construir fidedignidade demanda tempo e esforço, mas os benefícios são inúmeros, incluindo a conquista de clientes fiéis, a atração de investidores e parceiros de negócios, e a construção de uma reputação sólida no mercado.
Embora se associe o psicólogo ao uso de teste psicológico, no entanto é apenas a minoria desses profissionais que aceitam testes psicológicos na sua práxis. Muitos desprezam esses instrumentos, mais por não saber ou não querer utilizá-los do que a partir do seu conhecimento. Como diz Nascimento (2005), os testes continuam sendo alvos de críticas por muitos colegas e, em certos meios chegam a ser considerados uma área desprestigiada da psicologia.
Mesmo com as pequenas limitações de pesquisa, o objectivo foi atingido a fim de compreender a percepção dos peritos a respeito dos conceitos de validade, fidedignidade e suas respectivas implicações na testagem psicológica e também de compreender a importância do papel do psicólogo durante o processo avaliativo e quais os desafios atuais da área.
4- BIBLIOGRAFIA
· ALCHIERI, J. C. (2003). Avaliação Psicológica: conceito, métodos e instrumentos. São Paulo: Casa do Psicólogo.
· ANASTASI, A e URBINA S. (2000). 7a edição. Testagem Psicológica. Porto Alegre: Artes Médicas.
· ANASTASI, A. (1977). Testes psicológicos (2 ed.). (D. M. Leite., Ed.) São Paulo, Brazil : EPU.
· BAUMAN, Z. (2004). Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. (C. A. Medeiros, Ed.) Rio de Janeiro: Zahar.
· ERTHAL, T. C. (2009). Manual de Psicometria. Rio de Janeiro: Zahar.
· GUZZO, R. S. ( 2001). Laudo psicológico: a expressão da competência profissional. São Paulo: Casa do Psicólogo .
· NORONHA, A. P. (2005). Reflexões sobre os instrumentos de avaliação psicológica. Em T. e. Psicológica., & IBAP (Ed.). Porto Alegre , São Paulo: Casa do Psicólogo .
· OCAMPO, M. L. (1995). O processo psicodiagnóstico e as técnicas projetivas.
· PASQUALI, L. (2001). Técnicas de exame psicológico – TEP. Manual. . Em Fundamentos das técnicas psicológicas (Vol. I, p. 105). São Paulo: : Casa do Psicólogo.


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